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13 de Dezembro de 2018

"Dinheiro compra até amor verdadeiro": sites que patrocinam Sugar Daddies X sugar Babies, o que são?

Elane Souza DCJ Advocacia, Advogado
há 18 dias

O que são e como funcionam os 'sites de relacionamento' que cadastram as "sugar babies" e "sugar daddies"?

Chamarei de site de relacionamento porque, após tomar conhecimento de como funciona, acredito que nada mais é que um site de relacionamento direto e honesto. Diferentemente da maioria que existe no mercado, o estilo sugar baby veio para facilitar e colocar as relações em pratos limpos. Cada um oferece o que tem e todos saem ganhando e felizes!

Distinto dos outros sites de relacionamento, dos que 'antigamente' estive inscrita (confesso) e existem, aos montes; o estilo sugar baby é o melhor de todos!

Veja bem, há uns 7 ou 8 anos estava cadastrada em 3 (três) sites de relacionamento; agora, depois de todos esses anos já não tenho vergonha em admitir; todavia, antes era bem difícil falar aos amigos e parentes que conheci meu atual marido, o que está comigo há 7 anos, em uma rede social comum.

Para mim era um tabu; escondia de todos que estava cadastrada nessas redes de procura de relacionamento.

De lá para cá, os anos passaram e muitas mais redes de 'amizades, relacionamentos e até casamentos' foram surgindo!

Infelizmente, nem todas as pessoas que se cadastram nelas tem a verdadeira intenção que coloca no perfil. Muitas são casadas ou tem relacionamentos estáveis e algumas, mesmo sendo solteiras, nada do que dizem (CONDIZ) com a realidade. Querem apenas usar o outro sexualmente, de forma virtual ou pessoalmente, quando não partem para atitudes ainda piores!

Não vou citar os sites que já estive cadastrada, tampouco os que nunca estive! Apenas digo que, naquele tempo (em Lisboa), era comum ver as mesmas pessoas em todos (inclusive eu); a coisa se transformou em algo tão batido, que resolvi sair fora.

Muitos dos homens que conversei, porque o perfil me agradava, coincidia com o que eu procurava (ou seja, relacionamento sério), após algum tempo se mostravam diferentes.

Se falávamos, via skype, mais cedo ou mais tarde, essa pessoa já queria mostrar o que eu não estava programada para ver; se era um encontro, em local público (parque, restaurante ou café), logo em seguida a pessoa já queria intimidade maior, entre quatro paredes.

Como poderia ceder se, na maioria das vezes, a pessoa sequer vivia na mesma região, ou país que eu? Seguramente, se cedesse, nunca mais a veria para o mesmo fim, ou para fim diverso!

Por causa de homens mentirosos que acabava bloqueando alguns e sendo bloqueada por outros que se davam conta que não ia 'rolar' nada mais íntimo, virtual ou presencialmente.

Não dá para sair mostrando (via web Can) nossas partes sexuais e vendo as de pessoas que não temos nenhuma intimidade e compromisso; para mim agir assim seria o mesmo que prostituir de graça - talvez, por isso, acabei sendo chamada de "velha, cheia de pudores"; mas mantive a dignidade!

A finalidade de falar um pouco sobre minhas experiências em rede de encontros foi justamente para 'defender' essa nova fórmula de criar, de construir relacionamentos.

Quando todos já sabem, desde o princípio, o que o outro verdadeiramente quer a chance de dar certo é muito maior - ao terminar, ninguém sairá magoado ou frustrado; afinal, já 'pagaram o preço da relação'!

No caso anterior, dos sites de relacionamento 'normais', não é incomum, principalmente com as mulheres, sentirem-se usadas e trocadas como refil!

Em meus círculos, conheço gente (homens casados), que viajam bastante e estão cadastrados em sites como os que estive antigamente - eles fazem exatamente o que faziam os 'caras' que conversavam comigo.

Quando sabem que vão viajar para um destino X, a primeira estratégia não é se preparar para o trabalho senão procurar 'uma vítima', uma coitada que mora no local onde estarão, para dar o golpe de homem apaixonado pelas fotos e perfil da coitada! Às vezes. colocam duas na lista de possíveis encontros pois, dessa forma, não perdem 'o bonde' - se a conversa mole não colar com uma, dará certo com a outra! E assim estão sempre renovando suas relações sexuais. Meu marido também está viajando muito ultimamente (à serviço, rsrs)!

Mas, voltemos ao tema sugar Baby e sugar Daddy

Li e ouvi pessoas comentarem coisas horríveis sobre os sites que promovem encontros entre sugar daddies e sugar babies. Coisas como: "site de prostituição; um modelo de casa de prostituição on-line ou de agenciamento de prostitutas", etc!

A maioria da população fica horrorizada com quem participa (mas só com as sugar babies); com os"dadies" ninguém arrisca julgar - moralismo, sempre, só contra mulheres; quando isso mudará? Não sei! É como se os homens não tivessem participação nenhuma na relação (na transação, sei lá)!

Algo tão simples entender: se não houvesse homens dispostos a pagar não haveria mulheres à disposição. Pior é fazer parte de um site como os que fiz e aceitar se prostituir sem ganhar nada; porque, verdade seja dita: quem vai ao encontro de um homem que conheceu na internet, para tomar um café ou um almoço, e em seguida se dirige a um motel com ele, o que é? Pior que prostituta, pois esta se valoriza recebendo pelo que proporciona! É a sua profissão e não deve envergonhar-se disso! Já quem faz de graça...

Então, deixemos o moralismo de lado e sejamos sensatos (as): se você é maior de 18 anos, é pobre, bonita e sonha em fazer Faculdade cara (como Medicina, por exemplo), fazer viagens maravilhosas ou abrir uma empresa, não siga com essa de encontrinhos de graça, via sites de relacionamento 'mequetrefe'; parta diretamente para um que valorize os seus dotes, que invista em você, juntamente com o seu futuro daddy!

Nos outros não conseguirá grande coisa, só se tiver MUITA sorte, coisa que eu tive depois de fracassar bastante e ainda ser tachada, por alguns, de velha pudorenta (recatada)!

O tipo de relacionamento que estamos a falar sempre existiu, só não tinha nome, nem sites para agenciar - mas quantas meninas pobres, bonitas e jovens já se relacionaram com homens mais velhos só por dinheiro? Nem dá para contar! A única diferença é que os dois fingem não saber um, da intenção do outro! Mas, no fundo é tudo muito claro - quem se engana é por inocência!

Ainda fico com o modelo novo, que é às claras! Quando você ou ele se cansar é só mudar de 'patrocínio' que nenhum terá motivo para atirar na cara, que só estava junto, por isso ou àquilo - as mulheres, nessas brigas, sempre saem perdendo porque elas são as que estão por dinheiro e são mulheres; no final, o homem a chamará de tudo que quiser e a pobre coitada ainda poderá sair sem nada! Melhor a segurança de um site de agenciamento de 'Babies' e Daddies!

*Esse texto também pode ser lido aqui, com uma visão não jurídica!

Juridicamente falando não dá para tachar os sites que agenciam essas pessoas como site de prostituição. São apenas a intermediação entre homens e mulheres que desejam encontrar um no outro o que procuram! O site fica apenas com o que ganham mensal, pela inscrição dos participantes (Daddies, Babies e até Mommis).

É o tal do amor prático - daquele que falava Nelson Rodrigues: "dinheiro compra até amor verdadeiro"!

Aproveitando o texto (que tem como tema amor, sexo e dinheiro) citemos o projeto de Lei do Deputado Jean Willys, de nº 4.211/2012 (juntado a outro de 2003), e nomeado de Gabriela Leite (homenagem a essa que foi militante dos Direitos Humanos dos profissionais do sexo desde 1979; uma ex-estudante de sociologia que se tornou também profissional do sexo e acabou presidente da ONG DAVIDA - faleceu em 2013.). O referido Projeto, atualmente parado na Câmara, visa proteger os profissionais - combater a exploração sexual e punir com mais rigor os exploradores. Para isso acontecer propõe mudança na descrição de alguns artigos do Código Penal pois, prostituição é diferente de exploração, além do mais visa também legalizar para dar direitos (inclusive de aposentadoria com 25 anos de trabalho - afinal, de "vida fácil", isso não tem nada) e por fim, promover segurança, assistência médica e psicológica aos profissionais da área (homens, mulheres e trans).

Texto Por Elane F. de Souza DCJ e Divulgando Direitos

Estamos, também, no Face com a PG oficial do DCJ

Imagens/Créditos: pixabay, a 1ª editada por DCJ

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4 Comentários

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Curiosamente, só tem um problema que ninguém toca nesse caso e no de outros aplicativos, se ele presta um serviço de comunicação (similar os UBER) e não de prostituição, ele deveria pagar impostos?

E uma vez que seja legalizado, o que eu espero pois compartilho da visão amoral da autora, quem paga o imposto e declara? O Daddy ou a Baby?

O grande ponto que deve ser debatido, é qual o limite das exigências comerciais do Daddy? Exclusividade? Exames médicos atualizados? Deve existir prestação de contras? E os direitos da baby? Algum direito de indenização? Se ele a assediar (estamos em uma relação de patrocínio)? Quem define o preço?

Hoje eu sou contra os sites por algumas razões:
1 - Dá muito poder ao homem na relação, pois não garante nenhum tipo de proteção a mulher, pois os sites se definem como meios de comunicação, se eximindo de qualquer responsabilidade ou verificação de segurança.
2 - A segurança desses sites é ridícula, e muitos podem vender seus bancos de dados com as informações dos usuários, especialmente por que os servidores não ficam no país onde atuam. E caso isso ocorra, as mulheres com certeza irão sofrer o pior.
3 - Não existe padrão de valor para cada serviço prestado. Infelizmente, se a ideia é usar o sexo como moeda, fatores subjetivos não podem entrar no preço, apenas na gorjeta. Isso significa determinar uma tabela e qualificar a belezas das mulheres, isso serve para proteger ambos os lados dentro do espectro consumerista e criminal (evitar acusações de fraude e etc).
4 - Não existe rede de apoio ao lado mais fraco em uma relação dessas. Apesar de geralmente ser a mulher, não existe protocolo mínimo de trabalho. Logo mulheres que não são liberais como a autora, rapidamente ficarão fora do mercado e não poderão fazer ou falar nada a respeito. Além disso, um homem pode ser chantageado também, assim como as mulheres, pois o estigma social e familiar a respeito da "prostituição" (troca de dinheiro por prazer físico) é muito forte, especialmente onde valores religiosos são imperativos.

Acho muito interessante, mas no Brasil, com nossa cultura hipócrita e a aceitação social a crimes de ódio, as mulheres que abraçarem essa forma, serão limitadas ou punidas em seu futuro profissional ou familiar de alguma forma. Seja por não receber o reconhecimento devido por "ter trepado em troca do emprego" (falsa imagem que acaba denegrindo a imagem da mulher e a impedindo de assumir cargo mais altos) ou por estimular o assédio sexual. O brasileiro não tem maturidade e inteligência para usar isso sem destruir pessoas no processo. continuar lendo

Só não gostei muito da parte inicial quando diz: ..."compartilho da visão amoral da autora"! A palavra amoral é muito forte, esteriotipada e até denigre um pouco - não creio que EU seja Amoral!

Nos demais trechos do texto, fiquei bastante satisfeita, inclusive até no iten 4, quando diz: "...Logo mulheres que não são liberais como a autora"...

Enfim, valeu bastante esse acréscimo que deu ao texto, enriqueceu e só tenho que agradecer!
Uma boa semana para ti!
Boa tarde continuar lendo

Carissima Dra Elane,

Em momento nenhum quis dizer que você é amoral, apenas sua visão sobre a questão debatida.

Uso a palavra amoral dentro de significado acadêmico, que significa que não faz julgamento moral da questão. Pessoalmente acredito que tudo aquilo é monetizado, não deve ser alvo julgamento moral. Se é passível de julgamento moral não deve ser monetizado. continuar lendo

Sinceramente, não gostei do post, principalmente em um blog jurídico, mas tudo bem, esta é a minha opinião apenas, não necessariamente seja verdade. Posso estar errada neste sentido.
Contudo, o que realmente me causou espanto foi a forma em que a autora julga as mulheres, apesar de dizer que não as julga.
Vamos, lá, destaco:
"Pior é fazer parte de um site como os que fiz e aceitar se prostituir sem ganhar nada; porque, verdade seja dita: quem vai ao encontro de um homem que conheceu na internet, para tomar um café ou um almoço, e em seguida se dirige a um motel com ele, o que é? Pior que prostituta, pois esta se valoriza recebendo pelo que proporciona! É a sua profissão e não deve envergonhar-se disso! Já quem faz de graça..."
Por qual motivo uma mulher que decide transar com alguém que conheceu recentemente seria "pior que prostituta"? Então a mulher simplesmente não pode gostar de sexo? Não pode ter - e gostar - de sexo casual?
A cereja do bolo realmente é dizer "Pior que prostituta, pois esta se valoriza recebendo pelo que proporciona!"
Então as mulheres devem receber algo em troca do prazer que proporcionam, além do prazer que também recebem??????? Sexo é moeda de troca?????
Lendo o texto, parece que mulher só transa com segundas intenções, ou ter um relacionamento ("arranjar/manter namorado"), ou ganhar dinheiro. Porém, nem todas nós usamos nossas genitálias com segundas intenções, seja em um relacionamento fixo, seja de forma casual.
Então, quem vai ao motel com um homem que acabou de conhecer é apenas uma mulher que transa porque gosta ter prazer sexual. Quem "faz de graça", é pq entende ser livre para ter prazer sexual casual com quem quiser. Entendido? continuar lendo