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21 de Setembro de 2019

Conformidade Social e o "efeito manada". Há diferença? Seria possível extrair algo de bom nesse comportamento?

Todo mundo conhece o ditado que diz: "diga com quem andas que direi quem és"; no mesmo sentido, dá para afirmar que "você é a média das pessoas que mais tempo passa junto"! Leve isso para a vida (política, religião, futebol, amigos, etc).

Elane Souza DCJ Advocacia, Advogado
ano passado

Em 1951, o Polonês, natural de Varsóvia, Solomon Asch realizou um experimento que ficou conhecido no mundo inteiro, especialmente por estudantes e docentes da área de Psicologia.

Asch, estudante dedicado, licenciou-se em Psicologia em Nova Yorque e conseguiu o doutorado em Colúmbia, com apenas 25 anos; a partir daí concentrou-se no comportamento humano e acabou se tornando o precursor da Psicologia Social e Comportamental.

O Experimento, citado no primeiro parágrafo desse texto, revelou a forma como o ser humano atua em sociedade, especialmente para fazer e/ou continuar fazendo, parte de um grupo.

Sobre o estudo em questão

Naquele ano (1951), Solomom Asch reuniu sua equipe de investigadores sociais para realizar um estudo que mudaria a forma de enxergar o homem na sociedade.

Contratou alguns atores e combinou com eles a forma que deveriam proceder diante da situação que lhes seria apresentada.

Em uma sala estariam esses atores e 1 (uma) pessoa que não sabia das combinações. Na imagem acima, além de Asch, podemos ver que há 4 imagens. Uma delas está isolada. As outras 3 (três) estão em outro cartão.

O experimento consistia em apresentar aos participantes 2 (dois) cartões e a pergunta, sobre eles, era bem simples: 'qual destas 3 imagens é igual a isolada?' Fizeram isso várias vezes (sempre com atores e pessoas diferentes); usaram vários cartões, do mesmo modelo, só que em tamanhos diferentes.

À princípio, os atores respondiam certo, lá pela terceira pergunta eles começaram a errar, propositalmente, só para 'sentir' a reação do REAL participante (era o que Asch queria).

Da mesma forma, o participante verdadeiro, à princípio, mantém suas convicções e responde pelo que vê; NO ENTANTO, a partir da terceira (ou mais) pergunta ele já está acompanhando a resposta dos primeiros (mesmo sendo, EVIDENTEMENTE, incorreta/errada).

Asch fez isso durante algum tempo e acabou constatando que 70% das pessoas preferem fazer parte de um grupo que manter suas VERDADEIRAS convicções.

Em nosso entendimento, o que se pode extrair desse estudo?

- Que a Conformidade Social nem sempre é boa!

O que se encaixa perfeitamente ao bonito nome Conformidade Social é o infame e popular ditado: "Maria vai com as outras ou efeito manada"!

Pensamentos e atitudes fundamentalistas, quando difundidas por pessoas influenciadoras, podem se tornar gatilhos para guerras e outras grandes atrocidades (mas também há exceções).

Veja alguns casos: Hitler, Jesus, Napoleão Bonaparte, Mandela, Che Guevara, Ghandi, Alexandre o Grande, Lula, Mussolini, Joseph Stálin, Martin Luther King, Getúlio Vargas, etc. Essas pessoas arrebataram multidões para seguir seus ideias ou conseguir votos, se eleger e a partir daí comandar (o mundo ou um país).

No parágrafo imediatamente anterior falamos de pessoas que ficaram muito conhecidas no mundo (para o bem ou para o mal); entretanto, isso também serve para o dia a dia, ao nosso redor, a "pequenos e médios influenciadores", inclusive digitais (que são comuns hoje em dia - influencers). Pessoas que conseguem (muitos deles), mesmo sem pedir ou exigir, arrebatar outros "amigotes" para acompanhá-los em arrastões, quadrilhas, bandos, 'rolezinhos' e até estupros coletivos.

Por outro lado, há os grupos religiosos, grupos de ajuda, grupos de jovens do bem - enfim, pessoas que se reúnem para fazer o bem aos outros e só conseguem êxito porque, um ou mais dos indivíduos são influenciadores. Infelizmente, como já pudemos verificar e notar pelo mundo, influencers há de todo tipo!

Para cessarmos o assunto, questionaremos a atitude dos supostos 30% que não se deixam influenciar.

Isso é bom?

Manter a convicção, até o fim, nos faz ser vistos com bons olhos?

- Em nosso entendimento isso é mais um entrave que uma qualidade; afortunadamente ninguém é 100% convicto de tudo! Sempre haverá algo em que iremos concordar com o grupo.

Geralmente pessoas "convictas" de suas opiniões são consideradas chatas e esquisitas. Na maioria das vezes, tachadas de egoístas, afinal, não estão nem aí para fazer parte do grupo; preferem manter seus gostos e opiniões até o fim (mesmo que venha a ferir os demais).

Um exemplo que, inclusive, tenho bem de perto: conheço uma pessoa que quando está acompanhada de outras e lhe perguntam se ela gosta de dançar (e todos gostam) ela diz que isso é coisa de macaco; se perguntam se gosta de futebol, ela diz que é coisa de idiota, mesmo que todos tenham dito que gostam; quando pedem opinião sobre religião ela diz que só os tolos acreditam em fantasia. Simplesmente não está nem aí para fazer parte do grupo social (trabalho e família, por exemplo); quer apenas manter sua opinião e ponto; afinal, segundo ele a sua é sempre a correta!

Este, seguramente é um tipo de pessoa que nunca fará parte da 'manada' (do senso comum)!

E você, conseguiu extrair alguma coisa dessas ideias? O que tem a dizer sobre conformidade social?

Por Elane F. de Souza (Advogada e autora dos Blogs Diário de Conteúdo Jurídico, Divulgando direitos e a página do face DCJ)

Fonte: baseado em um antigo estudo das ideias de Solomon Asch

Imagens/créditos: antigas e livres de direitos autorais

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Indico um artigo sobre falácias argumentativas; um de nossos melhores AQUI:https://diariodeconteudojuridico.jusbrasil.com.br/artigos/533983185/falacias-argumentativas-formas-r...

4 Comentários

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Infelizmente estamos assistindo no Brasil um "efeito manada" muito perigoso políticamente. O fanatismo é dos dois lados.Estão repetindo frases feitas e palavras de ordem. Aguardando novos candidatos à canditados e com muitos "inimigos" virtuais. continuar lendo

Efeito Manada, em quem acreditar?

Vivemos num mundo de distorções, a mídia com sua parcela de culpa, cabe ao humano, filtrar e ver o que lhe convém.
Nem tudo que é permitido me convém, é a máxima, e o inverso?
Politicamente falando (smj, expressão equivocada) mas em uso, pior cego é aquele que não quer ver, porém, cada um tem seu olhar discricionário, então voltamos ao início, efeito manada, no popular, "banda vuou", não sou de lá nem de cá, eu sou daqui, o que for melhor para o Brasil.

Parabenizo pelo conteúdo, bom tê-la de volta com seus belos artigos, agregam conhecimentos. continuar lendo

Bom dia
Muito bom comentário, meu amigo.
Como vc disse, FILTRAR é a palavra chave. Quando filtramos, com muito cuidado, é mais difícil errar (só não é impossível). No mundo de hoje há que filtrar tudo ou corremos um sério risco de cair no 'abismo do induzimento'!

Obrigada pelo gentil comentário (cavalheirismo e carisma lhe é inerente). Abraço e sucesso no trabalho. continuar lendo

Obs: ficou ambíguo "com inimigos virtuais". No caso eu, tenho muitos, depois do "efeito manada". Não consegui editar. continuar lendo