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14 de Novembro de 2019

"Jeitinho Brasileiro" é igual a Corrupção do Cotidiano!

Quando votar provoca asco!

Elane Souza DCJ Advocacia, Advogado
há 2 anos

Furar fila, não devolver troco a mais, fazer "gatonet" ou gato de luz e água; comprar ou vender CDs "piratas" e tudo mais que for "pirata"; deixar de declarar (de pagar) algum imposto (DEVE "dar a César o que é de César"); passar calote esperando a conta prescrever; apresentar atestado falso para se livrar do trabalho; comprar carteira de motorista; estacionar em vaga de idoso ou cadeirante, etc.

Tudo isso é considerado pelo brasileiro, esse que vai às ruas gritar contra a corrupção, e também pelos que não vão, como sendo algo comum, algo do dia a dia; apenas uma forma de facilitar a vida. Outros, no entanto, têm isso como sendo uma forma de vida (fazem disso trabalho e sobrevivem assim)!

- O que esperar de pessoas que agem dessa forma?

- Que moral essa gente tem de sair às ruas pedindo a cassação ou impeachement desse ou daquele político que elegeu para representá-lo?

*Preferir leia este artigo diretamente em nosso blog AQUI!

Não tenho conhecimento, não tenho lembrança desse país menos corrupto! Toda vida ele foi assim! Em épocas anteriores, com o militarismo, por exemplo, também tínhamos corrupção - com a diferença de que tínhamos, além disso, o cerceamento de alguns direitos. Na época da ARENA e depois PMDB ou PSDB a inflação era terrível e também se roubava do povo (que o diga Malouf - àquele que "rouba mas faz"!).

O que temos hoje são pessoas mais revoltadas com a corrupção. Se antes eram mais resignadas hoje tem direito, vez e voz! Podem fazer o que bem entendem, inclusive sair quebrando tudo pela frente que nada lhes passa de mais grave! Antes, as badernas estavam sujeitas à pena de prisão e até torturados podiam ser!

A moda hoje é corrupto lutar contra corrupto!

Colocam o rabo entre as pernas e saem pelas ruas como se esse simples fato os abonasse das atitudes do cotidiano. "CORRUPTOS MODINHA"!

A corrupção do dia a dia é normal; anormal mesmo é roubar muito - POUCO PODE! E se roubar mas fizer alguma "coisinha para o povo, que vive de pão e circo, de brinde", está mais que perdoado!

Certamente o cidadão que pratica "jeitinho brasileiro" e, ainda assim, aponta o dedo para os outros - faria bem pior se tivesse oportunidade.

Como diria Machado de Assis: "a ocasião NÃO faz o ladrão pois esse nasce feito, a ocasião faz o furtador"! É assim porque, no furto, artigo 155 do CP, o objeto do delito é a coisa alheia móvel - o proprietário tem que estar distraído ou não estar presente para configurar...., nós, a nação brasileira ("proprietária da res pública") seríamos os distraídos (já somos) e o "furtador" será (já é) o político que não nasceu ladrão, mas a oportunidade o fez (pelo voto)!

Portanto, não dá para esperar muita coisa de uma nação que se diz indignada mas pratica, diuturnamente, o famigerado "jeitinho brasileiro" - acreditamos que se estão indignadas é porque não tiveram a mesma oportunidade, já que passam a vida praticando pequenas corrupções - quem verdadeiramente se revolta, age diferente!

Pela moralidade pública e por uma verdadeira democracia onde podemos escolher entre votar (no menos corrupto) ou NÃO VOTAR, não compactuar com nenhum dos que se dispõe a nos roubar! Essa é a Democracia que preciso - uma Democracia madura e respeitável!

Por Elane F. de Souza (Advogada e autora do blog onde este artigo foi publicado).

Fonte para embasamento final de VOTO: REVISTA ISTOÉONLINE - A hora do voto não obrigatório

37 Comentários

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Com a devida vênia, os atos de corrupção arrolados no texto não servem para desautorizar o clamor geral contra a corrupção política que se revelou no país. É claro que não se justifica fazer "gatonet" ou gato de luz e água, nem comprar ou vender CDs "piratas", até porque um erro não justifica outro, mas o que se viu nesses tempos de Lava Jato passou de todos os limites, até porque se trata de corrupção não apenas sistêmica, mas, sobretudo, assassina. Os políticos e empresários que desviaram e se locupletaram com o dinheiro público revelaram-se verdadeiros genocidas, por privarem os menos favorecidos de leitos e medicamentos em hospitais. Deixaram milhares de crianças sem merenda escolar e carentes de uma educação de qualidade. Nenhum ato de corrupção é, em si mesmo, justificável, mas a corrupção de políticos que recebem um mandato popular para trair e roubar seu povo é, simplesmente, intolerável e, por isso, merecedora da mais rigorosa punição! continuar lendo

Verdade, Ricardo! Seu comentário foi extraordinariamente perfeito! Não há sociedade incorrupta! Todos os países têm, infelizmente, o mal da corrupção perpetuado. Alguns países em nível menor, outros em nível mais elevado; porém, todos eles, partícipes dessa lamentável prática cotidiana. Devemos lutar de forma veemente para que o Brasil não esteja no topo dessa infame lista dos mais corruptos. O Brasil teria, por exemplo, um pouco mais de dignidade, pelo menos moralmente, se o ex-presidente Lula já estivesse preso, pois a condenação em Segunda Instância já foi outorgada. O artigo acima (eu posso estar enganado) infere sutilmente que as manifestações realizadas nas ruas contra a corrupção são, podemos dizer, hipócritas. Todavia, mesmo sendo o brasileiro imperfeito, ele tem o direito de lutar contra a exacerbada canalhice que é realizada dentro do Legislativo. Portanto, uma boa lógica seria: lutar enfaticamente contra a corrupção política e, ao mesmo tempo, lutar contra a corrupção que às vezes passa desapercebida todos os dias, nas pequenas atitudes, aos olhos de milhares. continuar lendo

Pois é. É a velha estúpida falácia do "se você baixa filme pirata não pode reclamar da corrupção dos políticos". Completamente sem consideração à proporcionalidade e à razoabilidade que o estudo do Direito tanto valoriza. E o cinismo por detrás desse discurso é ainda mais repugnante. continuar lendo

Há duas semanas, fui ao banco para fazer um depósito em minha conta-corrente (fruto do suor do meu trabalho, e não de falsas-campanhas gospel!) e me deparei com a seguinte cena: um homem e sua mulher, a qual estava com uma criança recém-nascida no colo, ambos na fila preferencial; o problema é que quem fez as transações bancárias foi o homem, e não a mulher. Considerei a atitude deste homem muito baixa, aproveitando-se da mulher para conseguir vantagens, o famoso "jeitinho brasileiro".

Pensando nisto, pesquisei na Internet o significado desta expressão:

“’Jeitinho’, expressão brasileira, é um modo de agir usado para driblar normas e convenções sociais. É uma forma de navegação social tipicamente brasileira, em que o indivíduo pode utilizar-se de recursos emocionais – apelo e chantagem emocional, laços emocionais e familiares, recompensas, promessas, dinheiro etc. – para obter favores para si ou para outrem, às vezes confundido com suborno ou corrupção.
Normalmente o indivíduo sabe que não é certo fazer determinada coisa e a faz. Porém, quando chega a punição é dado um jeitinho de se esquivar da responsabilização pelo ato, algo como "varrer a sujeira para baixo do tapete", por isto tem este nome. Pode-se citar alguns exemplos da longa lista de pequenos pecados que cometemos:
• Pagamento de taxa, para ser aprovado no exame para tirar a carteira de motorista, mesmo não sabendo dirigir com segurança.
• Dar dinheiro para o guarda de trânsito anular a multa. Normalmente, para não ser preso, usa-se a frase "tem como dar um jeitinho", uma vez que esta não é considerada suborno.
• Deixar tudo para ultima hora: pagamentos, inscrições, responsabilidades.
• Considerar que o Honesto é um paspalho e que o Malandro é o bom e achar que a Honestidade deve ser combatida com desprezo e a corrupção "se dar bem" louvada como estilo de vida.
• Trabalhar pouco e querer ganhar muito, querer que os outros trabalhem em seu lugar e que paguem suas despesas. “ continuar lendo

José, em relação à questão da mulher com o recém-nascido, discordo de que isso seja "jeitinho". Quando um casal está na rua, mesmo sendo a mulher a carregar a criança, ambos possuem a responsabilidade por ela ali, e é neste sentido que o atendimento preferencial se legitima. Além disso, mesmo não estando o homem com a criança no colo, a mulher está, o que a faria esperar assim como ele, ao seu lado na fila, fazendo-a carregar a carga por mais tempo. Não vejo ali nenhuma ilicitude ou imoralidade, com todo respeito.

Em relação ao pagamento de taxas para tirar carteira de habilitação, vejo a situação com mais complexidade do que isso. Todos aqui, ou ao menos quem já precisou das mesmas em algum momento da vida, sabe que as auto-escolas são uma verdadeira máfia, que exploram seus estudantes de todas as maneiras, assim como os avaliadores. Pessoas tomam pau nas provas a rodo, quando sequer cometem um erro, apenas para terem de pagar a taxa da prova 2, 5, 10 vezes. Por isso, quando chega em um ponto em que a pessoa percebe que, caso não pague, não vai passar nunca, por efeito das pilantragens do DETRAN e cia, decidem que sua única opção é comprar a carteira.

"Deixar tudo para ultima hora: pagamentos, inscrições, responsabilidades."

Bem, isso é procrastinar, não "jeitinho". Existe em toda parte do mundo, acredite. É do ser humano. continuar lendo

Correto!

Jogar a culpa só classe política, que é espelho de nós mesmo? é hipocrisia.

Aliás, basta verificar se nos países menos corruptos isto acontece (furar fila etc..)? A resposta será que negativa ou em menor proporção, bem menor.

Portanto, o "jetinho brasileiro" reflete na classe política e em outros fatos correlatos do dia-dia (que alguns funcionários públicos também se corrompem, funcionários privados também se corrompem). Basta fazer uma pesquisa em site de busca (tema livre).

Mais um (tema livre): pesquisar se essas pequenas e grandes corrupções que NÃO estão na classe política acontecem com a mesma frequência no Japão e Dinamarca, por exemplo?

Acredito que a resposta será negativa.

Mas "data vênia", indignação seletiva não será a solução! Legislação e punição ajudam, mas a mudança é cultural, enquanto tiver pessoas que acham que isto é diferente, não irá mudar, pois uma maior pressão cultural resultaria na mudança moral. Reclamar só de um tipo de corrupção que é o problema. continuar lendo

Muito bom Weslei, origada por comentar!
Abraço e bom final de semana! continuar lendo

enquanto a análise econômica do direito não se tornar disciplina obrigatória a todos os que atuam no ramo, vamos continuar lendo e ouvindo esse mar de abobrinhas. continuar lendo

Dr. Noberto,

Tu queres debater sobre o que na economia?

Tenho uma visão heterodoxa da economia, tenho preferência pelo pensamente do Keynes e seus pós.

Mas leio publicações da Escola LIBERAL Austríaca, vide "misses".

Para apontar um erro, primeiro deve dissertar e fundamentar sobre o erro, caso seja um pesamento que tenha alguma fonte?? basta citar, mas criticar sem nada?? usando a redundância, isto é nada!

Enfim, há formados que não aprendem nem direito (ética), bons modos na faculdade e quer dissertar sobre economia sem citar uma vírgula de economia.

Por fim, sua contrarrazão ou sua contestação foi inepta, pois, simplesmente, não argumentou nada! continuar lendo

em primeiro lugar, ueslei, é noRberto.

em segundo lugar, parei de ler na "visão heterodoxa"... continuar lendo

É claro que existe corrupção no mundo inteiro, mas o cerne da questão é como ela é vista em cada país pela maioria do povo.

No Brasil esses atos citados são considerados normais por bem mais da metade dos eleitores.

Em uma pesquisa mais da metade afirmou que se tivessem um cargo dariam emprego para parentes mesmo que não fossem competentes para os cargos.
A corrupção e o nepotismo no governo é endêmica desde o início de nossa história. A nossa cultura é tolerante com a corrupção.

Informem em qual outro país o eleitor vota e chega a ser fanático defendendo seu candidato com a frase: "Rouba, mas faz" continuar lendo

Aí está o cerne da questão.....EXCELENTE comentário!
Não tem que roubar de jeito nenhum e não deve colocar parente (por isso que afirmo que o povo aqui é igual aos políticos - a maioria - todos que tivessem oportunidade de estar lá fariam o mesmo e até pior - infelizmente é assim)....
QUANDO VAI MUDAR? Só quando o povo mudar de atitude e achar feio e errado roubar pouco e roubar muito!
Parabéns pelo comentário e obrigada! continuar lendo

Essa argumentação costuma ser trazida à guisa de justificação dos "mal-feitos" da petralhada. Não cola mais... continuar lendo